Crônicas de uma pessoa normal


Comendo o Mário Prata

Não é segredo pra ninguém que eu sou fã do Mário Prata. Mário para os íntimos e Má na minha imaginação.

Não consigo entender por que, alguns de nós, pessoas normais, se interessa fisicamente, pelos quais achamos interessantes, mesmo sem tê-los vistos pessoalmente. Assim como eu, pelo Má; e você por alguém na sua vida, um cantor, uma atriz, o Willian Bonner ou seja lá quem for.

O mais interessante desta história, é que eu tenho o roteiro direitinho do meu encontro com o Má.

Primeiro, claro, ele acharia interessante alguma coisa que leu escrita por mim. Seria alguma coisa inteligente, criativa e engraçada. Ele responderia com um convite para um encontro, casual, quando ele viesse para Sampa. Eu aceitaria depois de alguns dias, pra não mostrar ansiedade e seria à noite, num pub. A gente combinaria de ele me reconhecer pela cor da roupa que eu usaria, porque, acredite, acho que eu não o reconheceria mesmo tendo o visto em algumas entrevistas. Eu estaria esperando no balcão, nesta altura, já teria tomado duas doses de whisky, pra ficar  mais soltinha, e, é bem provável, já seria amiga do cara que estaria me servindo. Justamente no momento que ele chega, estou fumando, desencanadíssima, rindo com o garçom, pensando: -Se ele me der um bolo, eu fico com o garçom mesmo...

Ele chega por trás e fala meu nome com uma interrogação. Começo nosso encontro como se ele fosse amigo meu há dez anos. Ele fica pensando que entrou numa roubada, mas vai relaxar depois da segunda dose também. Eu tenho que começar a me controlar na bebida, senão em mais duas doses, começo a falar javanês, aramaico e outras fluências que só um bom bebum consegue pronunciar.

O Má terá me achado bonita, um pouco alta talvez, por causa do meu salto. Vai imaginar se tenho joanetes, se meus peitos são siliconados (não são, Marinho, originais de fábrica, precisando de uma recauchutagem, mas originais), e fazer perguntas da minha profissão, que aliás, ele conhece bastante, mas as fará por educação, para mostrar que a pessoas importante ali sou eu, e analisará o jeito que fumo, como coloco o cigarro no cinzeiro, como apago a bituca. Acho que ele vai gostar da minha boca, mas, como bom comedor, não irá tecer nenhum comentário a este respeito, pra não parecer cantada.

Sairemos de lá bem, bem tarde, de taxi, cada um para o seu hotel, porque eu não terei condições de dirigir. Nesta hora, ele também não, mas nunca, nunquinha demonstrando isso, e decidimos, que, apesar do tesão mútuo, seremos bons amigos, porque ele não tinha viagra hoje e eu sou muito bem casada, obrigada.

 



Escrito por Clau às 15h02
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